quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Cresce a virtualização no mundo

Ambiente digital proporciona melhor análise dos consumidores. Veja como isso ajuda na estratégia dos negócios.

A importância que a internet adquiriu em menos de duas décadas de existência é de fato estarrecedora.

Em termos de negócios, a velocidade com que este canal ativo de relacionamento com os consumidores se expandiu é tanta que hoje já são 1,4 bilhão de pessoas conectadas – cerca de 21% da população da Terra, de acordo com os dados divulgados pelo website Internet World Stats, que rastreia as tendências dos usuários na web.

Para se ter uma idéia do que isso representa, apenas no mercado bancário, estima-se que 40% das transações até 2010 serão realizadas via internet, enquanto 23% delas serão feitas por call center e outros 19% nas próprias agências e caixas eletrônicos.
Navegar na rede já se tornou um hábito de vida, tanto que hoje a conectividade vai muito além dos computadores pessoais.

As vendas online feitas a partir de aparelhos celulares já chegaram a três bilhões ao redor do mundo, das quais boa parte ainda se concentra no Japão, país em que o telefone móvel é instrumento indispensável à rotina de trabalho e lazer.
Diante dessa realidade, rastrear de modo eficiente todos os dados gerados pela internet passou a ser uma necessidade de mercado, caracterizado cada vez mais por árduas disputas entre empresas, sempre no intuito de arrebanharem o maior número de consumidores possível.

Hoje, uma determinada companhia que pretenda assumir a liderança no seu mercado de atuação deve, sobretudo, dispor de uma estratégia empresarial coesa e distinta dos seus concorrentes. E o primeiro passo para que ela seja construída é interpretar profundamente os comportamentos dos usuários na internet.

A partir de ferramentas e softwares analíticos, é possível que o gestor tenha em mãos uma gama de informações avançadas de seus clientes, sem as quais ele não reuniria as condições elementares para conduzir seus Negócios adiante.
O grau de detalhamento dessas ferramentas tecnológicas é tamanho, que é possível não só colher dados do tempo médio em que cada usuário gasta na página de uma loja virtual, como também discernir os motivos que o levaram a permanecer lá por um período maior – foi de fato interesse pela compra de algum produto ou simplesmente confusão gerada pela má disposição do site?

Grandes corporações já se deram conta de que essa análise sobre o mercado consumidor – dada sua riqueza e abrangência – é um grande meio facilitador para a entrega personalizada de produtos. Com base no histórico de navegação dos usuários, por exemplo, não seria mais prático e útil destacar aquelas mercadorias que condizem com os reais interesses de cada um, ao invés de sujeitá-los a uma lista interminável de opções de compra?

O que estou querendo dizer é que hoje já existe tecnologia suficiente para capturar insights e comportamentos de usuários na rede. Uma vez sistematicamente agrupados em documentos, eles se revelarão uma fonte valiosíssima de números que, aliada a certas habilidades de gerenciamento, comporão o cerne da estratégia de competição da empresa.

Assim, com a crescente virtualização do mundo, a inteligência de mercado ganhou status de condição sine qua non para que uma companhia amealhe vantagens competitivas sobre as demais.

Se a internet passou a ser o canal de diálogo mais ativo que há entre as empresas e seus clientes, é fundamental que elas aprendam a aprimorar e a enriquecer a experiência que com eles mantém. Ficar inerte a esta realidade digital corresponde à resignação de um futuro fracasso.

Por Katia Vaskys (country manager da Teradata Brasil)
Fonte: HSM Online
20/02/2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Empresários pedem mais crédito

Ministros da área econômica e os presidentes do Banco Central e do BNDES ouviram nesta quarta-feira de representantes do setor produtivo e financeiro apelos por novas desonerações e medidas adicionais que contribuam para a regularização do crédito no país em meio à crise global.
Segundo empresários que participaram da segunda reunião do grupo de acompanhamento da crise instituído pelo governo em dezembro, essas duas questões dominaram as exposições feitas pelos executivos no encontro.

"Queremos mecanismos para que o crédito flua para a atividade econômica", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy.

Ele argumentou que os recursos de longo prazo emprestados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tradicionalmente levam meses para serem desembolsados após a aprovação.

Para suprir essa lacuna, a Abdib reivindica que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal atuem com mais força na concessão de "empréstimos-ponte", por meio dos quais as instituições financeiras antecipam os recursos do financiamento.

Paulo Simão, presidente da CBIC, que representa o setor de construção civil, queixou-se de que as empresas do setor estão tendo dificuldades para acessar a linha de capital de giro de 3 bilhões de reais da Caixa Econômica Federal anunciada pelo governo para a construção civil em novembro.

Segundo os empresários, a CEF não está aceitando que os empreendimentos das empresas, com seus recebíveis e fluxos de caixa, sirvam como garantias exclusivas para os financiamentos."Ela (CEF) quer garantias externas", afirmou Simão. Segundo ele, até o momento apenas 50 milhões de reais da linha foram efetivamente acessados pelo setor.

Simão acrescentou que o setor também aguarda para o próximo dia 15 o anúncio do pacote de habitação por meio do qual o governo espera estimular a venda de 500 mil novos imóveis em 2009.

Durante a reunião, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento) e os presidentes Henrique Meirelles (Banco Central) e Luciano Coutinho (BNDES) não anunciaram novas medidas e "mais ouviram do que falaram", nas palavras dos empresários.As reuniões do grupo de acompanhamento da crise estão previstas para ocorrer todas as primeiras quarta-feiras do mês.

Fonte: Reuters05/02/2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A importância do investimento sustentável

Muitos se referem ao ano de 2008 como "um ano difícil". Devido à crise financeira mundial e aos diversos problemas ambientais, muitos acham que, em comparação a 2008, o ano de 2007 foi "um ano espetacular".

No meu ponto de vista, o ano passado apenas trouxe à tona questões que se têm arrastado ao longo da década, e que tomaram proporções ainda mais significativas no decorrer do ano.

Tempos ruins, na verdade, foram aqueles nos quais tudo parecia bem. Porém, logo se revelou a sujeira que estava sendo arrastado para baixo do tapete, como a sangrenta Guerra do Iraque, o descontrole do crédito mundial para financiar o setor imobiliário norte-americano, a devastação incontrolada do meio-ambiente para gerar matéria-prima na produção de mercadorias chinesas, e a falta de investimentos na área de saúde e educação em diversos países.

O ano de 2008 não foi difícil, foi revelador! E uma das principais revelações foi a importância do investimento social e governamental para sustentar as dinâmicas de mercado. O mercado comercial e de crédito não conseguem se sustentar sozinhos. É preciso investimento contínuo por parte do governo em infra-estrutura, educação e saúde da população.

Ao mesmo tempo, a sociedade, representada por suas empresas e organizações sociais, precisa ter consciência de sua importância para a adoção de conhecimentos, atitudes e práticas as quais reduzem os prejuízos visíveis para o meio-ambiente.

As lições de 2008 deverão ser levadas em consideração na elaboração de políticas mundiais que precisam se sustentar pelas próximas décadas. Saio de 2008 com a sensação de que a máxima protagonizada por muitos de que o mercado comercial traz claros benefícios sociais como a empregabilidade da população, foi finalmente sepultada.

O governo e as empresas erram em achar que para resolver o problema atual da crise financeira precisamos de acesso ainda mais fácil ao crédito. Isso talvez tenha algum efeito no curtíssimo prazo e é justificável pela eleição presidencial estar se aproximando. As empresas buscam esse artifício, pois já estão viciadas nas soluções de curto prazo e na lógica de que mais consumo é igual a mais produção.

No entanto, precisamos levar aos governantes e aos empresários a visão sobre a importância do investimento sócio-ambiental como ingrediente fundamental para evitar novas crises e garantir a sustentabilidade do planeta e da sociedade. Não adianta, por exemplo, alguém aumentar seu consumo de refrigerantes e depois jogar as latas na rua.

O governo e as empresas podem até achar interessante, em um curto período de tempo, que o consumo realizado tenha gerado empregos e renda, mas a cadeia sócio-ambiental estará, novamente, sendo destruída com o aumento do custo da matéria-prima e a possibilidade de que essa mesma lata seja um refúgio para o mosquito da dengue, por exemplo.

A cadeia sócio-ambiental se enriquecerá somente se os investimentos sociais atingirem patamares bem elevados. Espero que essa lição faça parte do processo decisório das empresas e dos governos. Além disso, torço para que a dinâmica produção-crédito-consumo seja substituída por uma nova dinâmica de produtividade sócio-ambiental - crédito responsável - consumo consciente. A necessidade de qualificação dessa dinâmica é a maior lição de 2008.

Considero 2009 o ano ideal para marcar o início de uma nova era de enriquecimento das relações humanas e ambientais.

03/02/2009 Miguel Fontes
Diretor da John Snow Brasil, doutorando em saúde pública internacional pela John Hopkins University, e autor do livro Marketing Social – Novos Paradigmas, da editora Campus/Elsevier